segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Acaso

Segue os conselhos do acaso
Eu sigo os conselhos do acaso
Levo a minha vida sem plano
O acaso é estatisticamente aleatório
E não segue tendências nem modas
Logo aproxima-se do equilibrio
Se todos procuramos equilibrio
Porque não seguir algumas tendências
Tudo bem!
Mas de forma casuistica
Deixando ao acaso a tal tendencia
E em varias tendências procurar esse acaso.

Se quero ir almoçar fora ao acaso
por alguma tendência
mas vou levantar dinheiro
e não há notas de 10
ao acaso me mando pra casa 
cortar uma cebola
e fazer um arroz.

terça-feira, 20 de março de 2018

Taxi

os fumos de taxi ou dos autocarros são poesia
eles têm cor negra cizenta ou azul e deixam marcas visíveis,
como um grafitti feito de uma certa distancia
eles preênchem maîs espaço na mente do que um tag
e consoante os corantes que se colocam nos combustiveis
assim, as cidades
e os nossos pulmões
 vão adquirindo nuances
da mistura dessas cores
com as cores das nossas células
até que...
 às nossas superficies
mimetizamos as cores vibrantes das cidades,
pelo menos até que os carros sejam elétricos.
só espero que o eletromagnetismo de tanta bateria
traga uma nova palete de cores novas e inovadoras
cheias de energia....

vida na Urbe

A vida nas urbes é um pouco xôxa e vazia
toda a humanidade se perde em luxuria social
ninguém é inigualável,porque ninguém existe.
As oportunidades são todas numa só, coisa nenhuma
A vida nas urbes é excicante.
Vivam na urbe um pouco para perceber
o quanto os fumos também conservam.
Mas depois recorram a lenha de azinho ou oliveira.+p

quinta-feira, 1 de março de 2018

Aquecimento global

O aquecimento global
Arrefece o planeta
Pode até ser injecção letal
Para o seu progeneta

Se o co2 aumenta
A fotossíntese também
Sera que de o2
Podemos ficar sem?

Considerações destas
Não aquecem nem arrefecem
São observações modestas
De Falta de cariz cientifico padecem

As bactérias não mataremos
E logo começará tudo de novo
Da esponginha do mar
Ao serzinho que põe ovo

que a terra é pequena pra nós
Disso podemos estar certos
Pois ja se procuram no cosmos
Habitats em amplos desertos

Se desarrumar o mundo
É  o motivo que precisamos
O plano ja está findo
Quando é que nos mudamos?

Deixemos esta casa em paz
Nunca cá fizemos falta
So na arte nos darás
Mãe natureza uma nota alta





Escrevo escrevo

Escrevo escrevo
Escrevo pra ti
escrevo pra quem quer
Sem objetivo aparente
So pra ter que fazer
Às vezes sai bem
Mas depende de quem ler
Tem coisas muito brutas
outras ja nem penso assim Ficam tipo minutas
Pra saber que penso de mim

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

passos largos

A passos largos se encaminha para nós
tudo se encaminha para nós
uma imensidão de moléculas e particulas
atómicas e subatómicas
um vortex de coisas se nos depara
a cada instante os sons as cores
o ar feito vento e a própria emoção
são para nós  como um oxidante forte
que nos esbate as cores
depois de as apurar para a vida
o sol e as marés são infimos,
as plantas e os caranguejos são grandiosos
refletem improvavelmente o tingir da galaxia
pelas emanações que a ciência
prova a cada passo curto
existirem dentro das coisas todas
uma eterna memória fisica
de tudo o que alguma vez foi
e possívelmente
tudo o que alguma vez será
como este talão de papel térmico
onde as letras se esvaem
para dar lugar a leitos de rios
de coisas e mais coisas e mais coisas



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A chemical aproach


This is an extract of the lyrics of a Rosin Murphy and Paul Seiji Dolby poem
integrated in the music track overpowerd by Rosin Murphy.



"Your data my data
The chromosomes match
Exact as in matter
A matter of fact
These amaranth feelings
A cognitive state
Need the love object
To reciprocate

As science struggles on to try to explain
Oxy-toxin's flowing ever into my brain
As science struggles on to try to explain
Oxy-toxin's flowing ever into my brain

A chemical reason
If reason's your game
A chemical needing
Is there in the brain
With preprogrammed meanings
Like a little more pep
Alien feelings
We have to accept"


Paul Seiji Dolby

Rosin Murphy

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Felicidade triste

Há um tipo de felicidade que é triste e é talvez dos melhores tipos de felicidade que já experimentei.
É como estar aconchegado num frio moderado e algo humido dentro de uma tenda pequena numa noite de tempestade tropical,  numa encosta algo ingreme,  a uns trinta metros do mar. Sentir uns trovões aqui e ali, para que o som da chuva torrencial a bater no tecido , a fazer um spray de aerosol quase imperceptível na cara, e a confundir-se com o barulho do mar,  pareça apenas um ambiente sonoro tranquilo e que acabou por o ser.  Dormi bem, muito bem nessa noite açoreana.
Esse tipo de felicidade aconchegante é um tributo ao silêncio, é uma passividade exausta dos pensamentos com um pronuncio de vitória moral e filosófica de mais uma barreira intelectual da vida. E a palavra aconchego vem-me à mente vezes sem conta pois muito horrível é o espernear do ser humano perante as questões irresoluveis da nossa condição animal.  Eternamente entregues à sorte de darwin, e apenas temporariamente aconchegados na felicidade triste.
A felicidade triste tem o condão de nos conseguir prolongar aquele fugaz momento em que choramos de tanto rir ou rimos de tamanha tristeza por isso meus semelhantes é coisa mesmo boa que se for vivida por umas horas somos bem capazes de nos agarrarmos a tal esclarecimento cristalino da mente.
Na tal noite açoreana senti-me algo eterno antes de dormir e acordei bem disposto como nunca,  fui bem cedo para as rochas ver a vida a fervilhar e brinquei como nunca com uma criança, eu que nem tinha pachorra para os miudos.
A felicidade triste é assim.  Brilhante e mais duradoura que a felicidade feliz,  que chega a ser parva porque sabemos que é uma embriaguez ignorante,  cheia de incongruências teóricas e algo desprovida de interiorismo.
 Na felicidade triste tudo está ajustado, o sofrimento espiritual não existe pois a comunhão com a realidade é total. Os pés agarram-se à terra e a terra sobe-nos pelas pernas substituindo a carne e o osso por uma mistura de solo e raizes que nunca tendo visto a luz são no entanto robustas e prolificas mais do que as frageis folhas iluminadas pelo sol que da a vida.
Por isso mesmo a felicidade triste surge da obscuridade de pensamentos e confusão mental extrema como se todas as contradições que a vida encerrasse se anulassem na perfeição permitindo esse tão almejado distanciamento dos problemas mundanos de quem ja nasce para ser feliz e infeliz em doses atomicamente equiparadas.  Por isso é que o aconchego da felicidade triste é o mais feliz momento da vida de um animal.
Mas não é só isso,  a felicidade triste supera-se, torna o dilema em apaziguamento o horror em beleza, faz do passado história imperial, come a ansiedade numa trinca e adormece a inquietação como um bebé cansado e birrento.
A felicidade triste pode nascer numa palpitação do peito mas cresce e torna o coração imortal como uma hera que blinda tudo a que se agarra com raizes e troncos. A verdadeira felicidade é esta que descrevi e nasce de uma prolongada dor no coração e do stress próprio da vida,  nasce do medo e da exaltação e que ninguém se livre de a viver pois não conhecerá a vida em pleno.
Não se pode sorrir na velhice nem prescindir da medicina sem conhecer a felicidade triste.  Mas esperem... Ja vos falei da felicidade triste?  É que me parece ao ler tudo de novo que não vos disse nada sobre este tipo de alegria.
Ps:. Escrito sem recurso a drogas