domingo, 27 de setembro de 2020

vida

 A vida emocional é qualquer coisa entre o melhor e o pior que pensamos de melhor e pior de  nós próprios e dos outros. Logo aí somos muito influenciados pela ideia que temos de nós proprios. Ela não consegue por sua vez ser totalmente independente  do julgamento alheio da nossa pessoa.

Se assim pensarmos em principio teremos uma vida melhor ou simplesmente normal

O normal pode ser aborrecido por isso mais vale tender ligeiramente para um dos lados.

Ou seja mais vale pensarmos que realmente somos um bocadinho melhores ou até piores do que os outros. Se pensarmos que somos melhores vamos sentir autocomiseração por vivermos num mundo imperfeito. Se nos sentirmos piores que os demais sentimos que o mundo foi feito para nos aconchegar. Em ambos os casos tudo parece desaconchegante mas insisto no bocadinho melhor ou pior , pois qualquer coisa aos bocadinhos é mais tolerável para o espirito, a alma, o pensamento tornado caracter ou o que lhe queiramos chamar. 


Ficar no meio é um objectivo impossível, que leva a uma descaracterização progressiva do ser. Acharmos que somos todos iguais é uma maçada. É um caminho algo sacerdotal para o equilibrio espiritual mas é também um jogo perigoso. Pode levar ao distanciamento do que é a essência humana e desnaturar muitas das nossas ambições vagas , algumas delas bem esplicitadas nos 7 pecados mortais, -coisa que penso sem certezas vir da filosofia teocratica- , e que são também motores de vida.

O pecado é a vida. Milhões de espermatozoides morrem e apenas um altamente competitívo e também algo sortudo se safa e chega a ser gente. Ha que sentir um pouco de respeito pelos demais. Não sei se há culpa por essas almas ou espiritos que não chegam a ser gente. Mas ha um nadador que ganha e milhões que perdem isto é facto, e nem pensemos nos pobres coitados que não chegam sequer a sentir o calor humano que não seja o do seu criador. Ha nesse facto algo de triste que implicitamente nos empurra logo no acto da criação para a ideia de que a vida é ja a resultante de uma montandade de gametas que roça o genocídio.


-Bom , relativamente ao que atrás escrevi sobre tolerar coisas em pequenas doses, uma faca a entrar-nos lentamente no corpo não é mais tolerante do que depressa em termos de dor, mas efectivamente se for devagar o suficiente , sei lá um milimetro por dia, telvez nem nos mate dependendo do local , o corpo formará um quisto em volta do objecto estranho e a vida continuará. Assim sendo, também no pior dos cenários emocionais o enquistamento é possível, pode ser até desejável e não é um caminho menos sacerdotal, eventualmente será o mais sacerdotal de todos. Isso levar-nos-ia à ideia bonita de que os seres humanos na sua maioria são emocionalmente ingénuos e se entregam à loucura das emoções da vida como martires e que de facto apenas os gurus, or ermitas emocionais os lideres espirituais são em ultima analise egoistas que julgam poder enganar o propósito da vida.

Por isso quando vejo uma pessoa velha que viveu uma vida intensa, tenho muito mais admiração do que a que tenho pelos gurus, esse  tais sacerdotes dos ritos, os ermitas de emoções, isto porque, os limites fisicos da tolerância à dor da existencialista estão mais postos á prova por quem vive efectivamente e se engana e desengana, e tal como os velhos o quiseram também nós queremos chegar a velhos, enquistados pela vida...numa pele rugosa mas macia, com um sorriso flacido mas cheio de luz. Peço ao coração que me dê essa força mas trato-o muito mal com emoções.