segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Felicidade triste

Há um tipo de felicidade que é triste e é talvez dos melhores tipos de felicidade que já experimentei.
É como estar aconchegado num frio moderado e algo humido dentro de uma tenda pequena numa noite de tempestade tropical,  numa encosta algo ingreme,  a uns trinta metros do mar. Sentir uns trovões aqui e ali, para que o som da chuva torrencial a bater no tecido , a fazer um spray de aerosol quase imperceptível na cara, e a confundir-se com o barulho do mar,  pareça apenas um ambiente sonoro tranquilo e que acabou por o ser.  Dormi bem, muito bem nessa noite açoreana.
Esse tipo de felicidade aconchegante é um tributo ao silêncio, é uma passividade exausta dos pensamentos com um pronuncio de vitória moral e filosófica de mais uma barreira intelectual da vida. E a palavra aconchego vem-me à mente vezes sem conta pois muito horrível é o espernear do ser humano perante as questões irresoluveis da nossa condição animal.  Eternamente entregues à sorte de darwin, e apenas temporariamente aconchegados na felicidade triste.
A felicidade triste tem o condão de nos conseguir prolongar aquele fugaz momento em que choramos de tanto rir ou rimos de tamanha tristeza por isso meus semelhantes é coisa mesmo boa que se for vivida por umas horas somos bem capazes de nos agarrarmos a tal esclarecimento cristalino da mente.
Na tal noite açoreana senti-me algo eterno antes de dormir e acordei bem disposto como nunca,  fui bem cedo para as rochas ver a vida a fervilhar e brinquei como nunca com uma criança, eu que nem tinha pachorra para os miudos.
A felicidade triste é assim.  Brilhante e mais duradoura que a felicidade feliz,  que chega a ser parva porque sabemos que é uma embriaguez ignorante,  cheia de incongruências teóricas e algo desprovida de interiorismo.
 Na felicidade triste tudo está ajustado, o sofrimento espiritual não existe pois a comunhão com a realidade é total. Os pés agarram-se à terra e a terra sobe-nos pelas pernas substituindo a carne e o osso por uma mistura de solo e raizes que nunca tendo visto a luz são no entanto robustas e prolificas mais do que as frageis folhas iluminadas pelo sol que da a vida.
Por isso mesmo a felicidade triste surge da obscuridade de pensamentos e confusão mental extrema como se todas as contradições que a vida encerrasse se anulassem na perfeição permitindo esse tão almejado distanciamento dos problemas mundanos de quem ja nasce para ser feliz e infeliz em doses atomicamente equiparadas.  Por isso é que o aconchego da felicidade triste é o mais feliz momento da vida de um animal.
Mas não é só isso,  a felicidade triste supera-se, torna o dilema em apaziguamento o horror em beleza, faz do passado história imperial, come a ansiedade numa trinca e adormece a inquietação como um bebé cansado e birrento.
A felicidade triste pode nascer numa palpitação do peito mas cresce e torna o coração imortal como uma hera que blinda tudo a que se agarra com raizes e troncos. A verdadeira felicidade é esta que descrevi e nasce de uma prolongada dor no coração e do stress próprio da vida,  nasce do medo e da exaltação e que ninguém se livre de a viver pois não conhecerá a vida em pleno.
Não se pode sorrir na velhice nem prescindir da medicina sem conhecer a felicidade triste.  Mas esperem... Ja vos falei da felicidade triste?  É que me parece ao ler tudo de novo que não vos disse nada sobre este tipo de alegria.
Ps:. Escrito sem recurso a drogas

sábado, 30 de abril de 2016

sem tempo

não sou religioso
mas como os religiosos não o compreendem
a minha religião é a ciência
a poesia reflete o mesmo encanto da ciência
no que tem do do aleatório das rimas
tal como rimas encaixam na perfeição com o sentir humano
a matemática é também ela repleta de capicuas que parecem querer sorrir.......
não tenho tempo

domingo, 14 de junho de 2015

coerência

A coerência
É como a ciência
Incrivelmente exacta
Eternamente imprecisa

Abraçar a coerência
Está para uma pessoa
como abraçar a ciência

É difícil porque por um lado
A coerência filosofica esvai-se nos meandros da vida vivida ficando perdida como um processo de intenção mais ou menos conseguido ao longo da vida.

A ciência segundo parece funciona de forma parecida, todos a amamos como uma deusa mesmo sem sabermos
Porque a nossa existencia é assegurada por ela ciencia a cada momento, até na a água que bebemos.

No entanto a ciência reduz bastante a importância do ser humano , mesmo explicando a improbabilidade da sua existência , a ciência já faz do ser humano a infinitésima parte de tudo, tornando nos grandiosamente pequenos.
- mas como pode uma pequenez e improvável existência sistematizar desta forma tão aprofundada as suas próprias origens.
Como podemos nós tão pequenos e improváveis saber já tanto sobre nós mesmos e o nosso meio físico? Isso faz de nos deuses também ? terão pensado outros povos nisto?
É certo que a maioria das pessoas não sabe e dificilmente acredita que uma estrela que vemos no céu possa já nem existir , e que apenas vemos a luz que dela emanou à milhões de anos  antes de se extinguir, e que , tendo atravessado distâncias inconcebíveis pelos nossos sentidos à velocidade de 300000 km por segundo, nos chega agora.
De facto isto leva-nos a acreditar que se alguém procura deus , esse alguem são os cientistas. São eles quem mais contribuem para a estupefação dos mortais a cada dia com novos e intrigantes factos sobre a origem das coisas. E a isso vamos ter de nos subjugar quando um dia as forças da natureza também nos reciclarem em vermes num cemiterio ou co2 e cinzas num crematório.
Deixo a questão, será que é indiferente após a morte integrarmos ou não físicamente outras formas de vida?
A mim agrada-me a ideia de integrar-me rapidamente no ciclo da vida mas a outros a mineralização por milhões de anos parece ser mais atrativa. Certamente o espalhamento de bilioes de moléculas de co2 pela atmosfera terrestre quase que nos homogenisa na estratosfera.


Dai vem a religião para nos salvar no meio da vida, para sermos infinitamente grandes na pequenez abstrata da natureza que tudo explica mas em nada nos distingue do resto. Isto porque estamos a essa existência abstrata ligados de tal modo , que a qualquer momento a natureza nos muda e nos transforma ou ate nos recicla pela morte , em matéria que se pode manter inanimada pra todo sempre ou ser reconvertida em vida através dos decompositores, por exemplo , que já a partir do momento da nossa morte comecam a converter a nossa matéria morta no tecido celular vivo deles.
Claro que para a maioria é absolutamente desprazeroso pensar que nos desfazemos em mil pedaços, e nos integramos primeiramente em biliões de formas de vida simples como bactérias e  fungos unicelulares e na melhor das hipóteses podemos ser comidos por um tubarão ou um bando de hienas esfaimadas, para sermos reintegrados na massa viva de algo que cheire, veja e sinta atravez de um sistema nervoso central.
É impensável chamar-mos a isto reencarnação mas para ser coerente é mesmo isso a única forma de reencarnação que a ciência descobriu até agora.
Mas fosse só isso incoerente, e estaríamos bem...

segunda-feira, 27 de abril de 2015

heróis do herario

Roubam com pinta e pompa
Fanam de fininho
Furtam de conta para conta
Extorsem do Algarve ao Minho

É o preço politico a pagar
Por um só preso político.

sábado, 25 de maio de 2013

Quem pensa seus males adensa


Por vezes são as pessoas que mais nos amam e que mais amamos, que mais nos fazem questionar a nossa própria preseverança, criatividade e capacidade para vencer os obstáculos.
Oxalá seja esse, um inconsciente mas lógico, derradeiro teste às nossas convicções.

sábado, 11 de maio de 2013

latino chora

latino chora
de alegria e paixão
latino chora
de simples dor no coração
latino late
latino ora
em céu escarlate
ou cinza negrão
latino vem da selva
mas chega de foguetão
latino é baixo
mas voa alto
latino é macho
mas de pouco aperalto

latino sangra
latino é quem quer
latino?
vai mas é pra junto da tua mulher
  

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Everything

There's a little true on everything and a little everything on everything
There's a lie in all
There's nothing but hopes and dreams
There's all to too much of undreamable and the beauty of the present is lonelly and forgoten
We never know what's going on, and when we do we cry
we are sensitive to both good and bad, and that's both good and bad.
Dream on!