sábado, 27 de abril de 2013

Poemansinho


vens devagar
e falas fininho
no teu bolinar
tudo de mansinho

com as amofadas das patas
tocas-me o focinho
escondes as garras
tudo afiadinho

afagas-me as máguas
é teu o donzinho
sais e apagas
mas fica um fuminho

eu só precisava
 uma mão no pelinho
tudo se apaga
mas só com carinho

quarta-feira, 27 de março de 2013

Tintóleo


Sou preguiçoso e rezingão.
Frequentemente queixo-me das falhas de um sistema de organização do trabalho,
Antes de fazer o essencial para que esse mesmo sistema funcione.
Mesmo que seja como um velho carro em que para não gastarmos dinheiro no mecânico,
Gastamos o dobro em óleo para que ele não avarie de vez.
Assim me encontro em Portugal, com 33 anos, a gastar rios de óleo.
Tintóleo.

O Toureiro a Cavalo


Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
O seu cavalo troteia efeminadamente desajustado ao par de tomates rapados.
Fujam! Fujam!
Em cima do cavalo vem à proa da tauromaquia, o toureiro a cavalo.
Que depois de uma tarde entre bostas a encher de redundâncias o seu pobre animal,
Vem animar as enjoadas damas dos nobres.
Elas estão lascivas e fartas da gordura sebosa de seus senhores.
Elas não pagaram e querem ver a indumentária ridícula.
Tão ridícula quanto os aplausos dos tolos, vazios e entediados pela existência vã.

Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
Os seus sapatos não cheiram a bosta, mas as unhas dos pés fedem a queijo da serra.
O cavalo não pode mais com isso e vacila.
Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
Com suas bandarilhas coloridas e festivas,
Cheias de sangue da pobre gente que se arrasta em miséria pelas ruas do reino.
Esse sangue porco que não dá para enchidos.
Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
Com sua elegância podre de sarro lavado com perfume de puta e roupa interior suada pelas carnes machas que se juntam.

Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
Larga pele de cobra venenosa daquelas que matam sem se cansar.
Seguindo a vitima até o leito da morte.
Assim é a arena para o touro quando entra o toureiro a cavalo,
Um leito de tortura e morte.
Para que assistam os representantes do diabo na Terra a execução sumária de tudo o que há de bom.
Fujam! Fujam!
Vem aí o toureiro a cavalo!
E num ápice o espetáculo morreu e a farda de toureiro a cavalo serviu de inspiração pela Dolce&Gabana na feira Milan Gay Fashion de 2036.

O forcado


Esse ser da planície, forjado na vacada da pré-adolescência e acabado ao detalhe na puberdade.
Semi despojado de nobreza por alguma roupa Rococó, mas mui nobre com seu gorro vermelho.
Na sua postura guerreira e sua pequinês quase dócil para a fera na altivez do pé bailarino.
No enorme pódio em que se coloca quando com a sua coragem cospe na farda apaneleirada do toureiro a cavalo.

Humor Misógeno




A mulher não procura coerência na sua vida.
O homem procura, mas não encontra.
Os homens e as mulheres devem desmaterializar-se saindo do espectro da existência humana.
Para se focarem sobre tudo na existência como uma divindade abstrata que as religiões profetizam com usura.
Mas enfim, se queres aturar bem a tua mulher, não polvilhes o seu dramatismo quotidiano com a tua tristeza e ânsia, nem a sua alegria com desprezo paternalista.
Faz como um Buda ou qualquer guru.
Aguenta a dor como um pequeno parto.

que saco


Saco escrotal,
Dá gosto coça-lo por vezes!
E não tenho muito mais a dizer sobre isso.

Crente sou eu


Mas eu sou crente.
Sou tão somente crente dos átomos, das moléculas e dos pentelhos que me crescem a volta do saco escrotal.
Tudo está integrado nessa capacidade infinita dos seres vivos, de observarem e codificarem em matéria a percepção  enevoada da realidade.