quarta-feira, 27 de março de 2013

O Toureiro a Cavalo


Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
O seu cavalo troteia efeminadamente desajustado ao par de tomates rapados.
Fujam! Fujam!
Em cima do cavalo vem à proa da tauromaquia, o toureiro a cavalo.
Que depois de uma tarde entre bostas a encher de redundâncias o seu pobre animal,
Vem animar as enjoadas damas dos nobres.
Elas estão lascivas e fartas da gordura sebosa de seus senhores.
Elas não pagaram e querem ver a indumentária ridícula.
Tão ridícula quanto os aplausos dos tolos, vazios e entediados pela existência vã.

Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
Os seus sapatos não cheiram a bosta, mas as unhas dos pés fedem a queijo da serra.
O cavalo não pode mais com isso e vacila.
Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
Com suas bandarilhas coloridas e festivas,
Cheias de sangue da pobre gente que se arrasta em miséria pelas ruas do reino.
Esse sangue porco que não dá para enchidos.
Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
Com sua elegância podre de sarro lavado com perfume de puta e roupa interior suada pelas carnes machas que se juntam.

Fujam! Fujam!
Vem o toureiro a cavalo!
Larga pele de cobra venenosa daquelas que matam sem se cansar.
Seguindo a vitima até o leito da morte.
Assim é a arena para o touro quando entra o toureiro a cavalo,
Um leito de tortura e morte.
Para que assistam os representantes do diabo na Terra a execução sumária de tudo o que há de bom.
Fujam! Fujam!
Vem aí o toureiro a cavalo!
E num ápice o espetáculo morreu e a farda de toureiro a cavalo serviu de inspiração pela Dolce&Gabana na feira Milan Gay Fashion de 2036.

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