Muito nublados estão os céus de Lisboa.
Bastante inebriados estão seus habitantes.
As águas do Tejo assentam tranquilas no seu
leito.
Algo se avizinha como sempre, desta
estabilidade em constante mudança.
Nos gabinetes os terramotos e tsunamis são cautelosamente
evitados e cirurgicamente absorvidos.
Esta é a ilusão dos indignados.
A ilusão da realidade não pode ser
acautelada, ela é uma predisposição das massas.
Não queremos mudar, queremos tudo igual.
Só queríamos uma ilusão mais bela.
Queríamos heróis de banda desenhada
convertidos em políticos justiceiros.
Algo que nos desse aquela motivação extra.
Procrastinar a revolta que nem sequer é um
fim, mas sim um meio, parece razoável.
Herdamos das 35 gerações de Portugal esta
água salgada densa e pesada, que nos abranda os movimentos e nos impede os atos
bruscos.
Esta eterna e insanável ponderação de
magistrado que reina em cada cidadão.
Mas se o cidadão é só um simples cidadão,
não deverá ele ser uma hélice cortante?
Um leme que sulque no Atlântico um novo
caminho para o país?
03/03/2013
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